“Nascida para sofrer” bem poderia ser o nome do filme. Iria retratar o sofrimento de Clotilde Oliveira nos circuitos de Ralicross.
Casada com João Oliveira, Campeão Nacional de Ralicross; mãe de Madga e Andreia Oliveira, ambas competiram no Ralicross de Montalegre na Super Nacional. Clotilde Oliveira, Tila para os amigos, é sem dúvida o sofrimento em pessoa.
Não nos lembramos se Tila sofria muito antes da jovem Magda Oliveira se iniciar no Ralicross, altura em que só o marido, João Oliveira, competia.
Já se completaram três épocas desde que Magda se iniciou no Ralicross. Numa prova atribulada, em que a jovem demostrou, desde as primeiras voltas, que desistir não era uma palavra sua conhecida. Quando se iniciou, a jovem não podia ainda conduzir em estrada, pelo que o primeiro contacto foi em prova e no meio de pilotos experientes e numa divisão bem competitiva. A Super 1600.
A partir desse dia, Tila Oliveira, tem sofrido muito.
O seu sofrimento aumentou quando Andreia resolve experimentar. A jovem Andreia, estreou-se em Montalegre, competindo diretamente com a irmã, Magda.
A duas jovens, Magda e Andreia, são gémeas. Muito têm em comum, curiosamente até o sorteio para as séries, colocou as jovens a correr juntas.
Se as semelhanças físicas entre as jovens nos levam muitas vezes a hesitar na altura de as tratar pelo nome, outras situações curiosas existem.
Ambas as jovens namoram com Campeões Nacionais de Ralicross, ambos da Super Iniciação. Falamos de Hugo Lopes e Bernardo Maia, que certamente também sofrem. Diz-se que cá fora sofre-se mais.
Voltando ao “coração de mãe”, Tila Oliveira foi o nervosismo em pessoa na prova de Montalegre.
“Estou preocupada com o lado psicológico, pois as minhas filhas são muito ligadas. Se acontecer alguma coisa em pista, preocupa-me a forma como a outra irá reagir”. Começou por confessar Tila.
“Sinceramente nunca vi a Magda correr, por isso também não vou ver a Andreia. Simplesmente não consigo.” Rematou com um sorriso.
“A minha preocupação nem é bem que se magoem, São as minhas filhas, quero o melhor para elas e sei a importância que têm as corridas para elas. A Magda adora correr, sempre lutou muito para evoluir. A Andreia desde que tirou carta de condução começou a gostar de velocidade. Antes não ligava muito. O que mais me assusta, é que elas não consigam cumprir os objetivos delas.”
Passado algumas horas, já com algumas corridas feitas, Tila continuava nervosa.
“As coisas não estão a correr bem para a Magda, problemas com o carro. Já a Andreia confessou-me, que a manga que lhe correu melhor foi a que estava atrás da irmã.” Seguir a pisadas da irmã, pareceu ajudar a jovem Andreia, dizemos nós. Andreia fez uma boa prova.
“Continuo nervosa, ou melhor ansiosa. Quero que as minhas filhas se sintam realizadas, que se divirtam. E que tudo corra pelo melhor.” Rematou Tila Oliveira
João Oliveira, ausente por motivos profissionais, também não deveria ser a calma em pessoa. Acompanhou a prova via internet e ao telefone com a esposa. Nada fácil, pensamos nós.
Se este fim de semana não foi nada fácil para Tila Oliveira, o futuro não se adivinha mais calmo. Com o uma família de pilotos, marido, filhas e respetivos namorados e, quiçá, futuros netos.
Sabemos que o coração de Tila terá muito para aguentar.
As jovens Magda e Andreia Oliveira

Tila e João Oliveira

Andreia Oliveira em corrida

Magda Oliveira em corrida

João Oliveira no circuito de Mação




