Chama-se Jorge Gonzaga, “Joca” para os amigos, é de Lousada e ostenta o título de Campeão de Kartcross, que conquistou no ano passado.


Foi com ele que o OffRoad Portugal, teve uma interessante, conversa.
Conversa que começou com Gonzaga a falar-nos das suas experiências anteriores, no Off-Road. “A primeira prova em que participei foram as 4 Horas de Ralicross em 2001, como parte de uma das equipas da Afinauto. Mantive-me até 2017 a participar nas 4 e nas 6 Horas de Ralicross, sempre na mesma estrutura. Interrompi em 2018, porque optei por fazer o Campeonato de Kartcross”.
Depois, questionámos sobre a sua primeira época, no Kartcross. “Comprei o Kartcross no início de 2016, e participei em apenas quatro provas nesse ano, sempre com resultados em crescente, até à vitória na Taça de Portugal. A opção foi, por isso, iniciar um projeto completo para a temporada 2017, tendo sido a primeira que disputei integralmente”.
Depois, veio 2018, ou seja, a época passada. No final do ano, o primeiro título na modalidade. “O nosso objetivo principal é marcar presença na Gala dos Campeões da FPAK. Continua a ser. Em 2018 queríamos conseguir ser competitivos com um novo carro e um novo motor, apostando numa marca que quase todos olhavam com desconfiança, mas que pelos vistos vai estar ‘na moda’ em 2019... Sabíamos bem o que tínhamos de fazer, mas não podíamos adivinhar os resultados ou a competitividade. Acabou por ser uma temporada memorável com uma dobradinha, e provas de um nível espetacular para pilotos e público”. Com uma marca de motores que poucos utilizavam. No final, Campeonato e Taça ganhos.
De seguida, quisemos saber se houve alguma altura em que “Joca” Gonzaga acreditasse que seria Campeão. “Acho que não existe um momento tipo ‘click’. Conforme o Campeonato se foi desenvolvendo, as coisas foram acontecendo naturalmente. Trabalhamos muito fora das provas, fomos sérios e competentes, sem nunca deixar de respeitar o trabalho dos nossos adversários. E a verdade é que disputamos o Campeonato até à última volta com um multicampeão, o Pedro Rosário, que fez também um campeonato de grande nível. Sabes que quanto mais valor reconheces aos teus adversários, mais valorizas as tuas vitórias”. Uma verdade, esta última frase do nosso entrevistado.
De várias provas memoráveis, em 2018, houve uma que foi especial, para o nosso entrevistado. “Houve várias provas que, por uma ou outra razão, foram especiais. Mas terei de falar em Castelo Branco. Fomos com a missão de ganhar pontos ao Pedro, numa pista onde nunca tínhamos competido. Isto, depois do azar que tivemos em Lousada, onde perdemos a liderança do campeonato a duas curvas do final quando liderávamos a corrida. Passamos o fim de semana a disputar as corridas ao décimo de segundo, e ainda consegui arrancar da pole. Depois, houve confusão com um piloto atrasado que me prejudicou, e outro que não estava inscrito no campeonato, sendo aí o Pedro prejudicado. Sem atribuir culpas, mas são situações complicadas de digerir para todos. Com o carro tocado e dificílimo de conduzir nas últimas duas voltas, debaixo da pressão do Pedro, consegui uma vitória a ferros que trouxe um sentimento de justiça pelo que nos havia sido ‘roubado’ pelo azar de Lousada. Foi um grande fim de semana".

Uma estratégia que surtiu efeitos
Um Campeonato ganho, com uma estratégia dos grandes Campeões. “Humildade e trabalho. Ter a humildade de reconhecer quando os outros são melhores, e trabalhar para melhorar e tentar chegar a quem está mais rápido. Depois, ter uma boa noção dos objetivos a que nos propomos. O caminho mais rápido para a frustração é estabelecer objetivos demasiado ambiciosos... Nesse aspeto, como equipa, funcionamos bem. Sabemos que até à bandeira de xadrez é corrida, e de véspera não se ganha nada... Focamo-nos apenas no nosso trabalho”.
Para este ano, que se inicia dentro de duas semanas, já está tudo definido. “O projeto no Kartcross mantém-se e iremos trabalhar novamente para ser competitivos e lutar pelas vitórias a cada prova. O nosso objetivo principal também de mantém. Estar presente na Gala dos Campeões da FPAK. Obviamente que temos o olho no bicampeonato, mas existem tantas variáveis e imponderáveis que ter apenas o campeonato como objetivo torna-se demasiado limitativo. Por isso, como equipa estabelecemos várias situações em que queremos melhorar e vamos construindo a partir daí”.
Quanto ao Kartcross, há coisas que Gonzaga muito aprecia, nesta radical modalidade. “Sinceramente, adoro a rivalidade saudável entre os pilotos com quem lutei pelo Campeonato em 2018. Tive lutas duras, com toques envolvidos, sem nunca haver falta de respeito. É um orgulho competir com pilotos assim. Esperemos que em 2019 se mantenha. Depois, acho fantástica a ideia de competir num carro capaz de prestações ao nível dos WRX, com um custo incomparavelmente inferior. O barulho, as constantes trocas de caixa, as trajetórias... É um investimento que vale a pena, pois muito para lá da competição, dá um gozo tremendo conduzir estas ‘coisas”. Confessou.
Mas, na verdade, nem tudo são rosas, segundo refere o piloto de Lousada. “Um dos principais defeitos do Kartcross é a facilidade com que se fazem acusações e levantam suspeitas. Os regulamentos são a base de qualquer desporto, e não critico os pilotos que não os cumprem. Critico, sim, a Federação por não ter forma de averiguar esse (in)cumprimento. Garanto que não há nada melhor do que ter consciência que vencemos “limpo”, mesmo a competir com alguns ‘sujos”.
Quase a terminar, pedimos umas palavras para aqueles que querem ou se vão iniciar. “Não gosto da ideia de dar conselhos, mas posso deixar alguns pontos que considero importantes. Em primeiro lugar, devemos saber filtrar aquilo que ouvimos. Toda a gente fala sobre todas as coisas e sabe tudo sobre tudo, mas os factos não mostram bem isso. Em segundo, lembrem-se que trabalhar, treinar, estar preparado é meio caminho andado. Aquilo que se faz em pista tem de ser apenas um resumo – pequeno e eficaz – do trabalho que foi feito fora dela. Quem pensa que chega e ganha, só raramente tem sucesso. Em terceiro, e não menos importante, não devem cair no erro da desculpa fácil. Encontrar nos outros, e nas suas supostas ilegalidades, as desculpas para as nossas falhas, não nos faz melhores, nem torna os outros piores. O Kartcross é um desporto fantástico, se for praticado com lealdade, seriedade e respeito”.
Só faltavam os agradecimentos, para a conversa terminar. “O maior agradecimento que deixo é à equipa que me acompanha. Todos sabem a importância que têm na estrutura, mas faço questão de destacar a Cecília e o Soares, por razões óbvias, assim como os meus pais. Depois, a todos os patrocinadores sem os quais a tarefa seria possível, mas bastante mais difícil. Uma parceria de sucesso, é sempre uma motivação extra para trabalhar, e nesse aspeto, temos muita sorte nas parcerias que estabelecemos. Em breve revelaremos mais sobre este projeto 2019”.
E terminou dizendo. “Um bem haja a todos, e esperamos por vocês nas pistas”.

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